500 anos da Reforma Luterana

Confira as atividades realizadas na IENH para celebrar os 500 anos da Reforma Luterana

IENH e os 500 anos da Reforma Luterana

O ano de 2017 é muito especial para a história do mundo inteiro. No dia 31 de outubro, comemoram-se os 500 anos da Reforma Luterana. Protagonizada por Martin Lutero, a reforma teve início em 1517, causando uma revolução social e política na Alemanha e expandindo para diversos países. Através da arte, cultura, educação, ciência e processo de consciência individual, as consequências da reforma espalharam-se pelo mundo inteiro.

Com mais de 70 milhões de luteranos no mundo, a comemoração do jubileu da Reforma Protestante em 2017 está ocorrendo através de um movimento mundial. A IENH, por ser uma Instituição com marcos históricos embasados nos princípios e na filosofia da Rede Sinodal de Educação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, também comemora a data.

Durante o ano, programações especiais abordarão a Reforma Luterana dentro e fora da sala de aula. Nessa página, as ações e também conteúdos exclusivos poderão ser acompanhados.

Conteúdos Especiais

Vivências da Reforma – Diretor Geral da IENH na Alemanha


Integrando as comemorações dos 500 anos da Reforma Luterana, em setembro de 2015, o Diretor Geral da IENH - Seno Leonhardt participou do 81° Seminário de Diretores da Rede Sinodal de Educação.

Realizado na Alemanha, o Seminário oportunizou o conhecimento de cidades e locais significativos para a Reforma Luterana, aprofundando as aprendizagens sobre o luteranismo e reforçando os princípios que norteiam as Escolas da Rede Sinodal de Educação.

Em questão dos locais históricos da Alemanha, o Diretor Seno conta que cidades relacionadas aos principais acontecimentos da Reforma Luterana foram visitadas:

"Na cidade de Eisenach visitamos a Escola Martin Luther Gymnasium, onde Lutero realizou a sua formação básica, nela também estudou Johann Sebastian Bach. A escola foi fundada por volta de 1232.

Conhecemos a cidade de Erfurt, que foi o local da formação teológica de Lutero (Convento dos Agostinianos) e marco importante para os primeiros pensamentos reformadores.

Realizamos a visita ao Castelo de Wartburg (cidade Eisenach), onde Lutero ficou escondido da perseguição religiosa e local onde, além da tradução da Bíblia para o alemão, foram produzidos importantes documentos do Luteranismo.

Em Wittenberg, cidade mais importante do Luteranismo, visitamos o Castelo de Frederico, onde Lutero foi sepultado; a igreja onde foram afixadas as 95 teses de Lutero e a residência de Lutero e a esposa Catharina.

Também visitamos as cidades de Leipzig e Weimar, importantes espaços do Luteranismo, mas também da música e da cultura. Locais que puderam conviver com o talento de Johan Sebastian Bach, Goethe e Schiller."

Sobre o conhecimento adquirido, Leonhardt completa: "Os aprendizados serão compartilhados com os Professores das diversas Unidades da IENH, Núcleos Pedagógicos e Funcionários".



Lutero e sua contribuição para a educação

O marco referencial da Reforma aconteceu no dia 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero fixou as 95 teses contra a venda de indulgências, na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha. A Reforma significou muito mais do que uma revolta contra a venda de indulgências, impactou nos campos religiosos, políticos, econômicos, sociais, filosóficos e literários dos principais impérios da época.

Na educação a influência também foi significativa. Até o início do século 16, na idade média, a igreja era a única encarregada das políticas, da organização e do custeio da educação. A partir da Reforma, surgem as nações-estados que começam a oferecer resistência ao poderio do papa e são dados os primeiros passos para a formação da Classe Média. Um novo modelo de educação começa a surgir. A propagação de novos conceitos e o sucesso da Reforma dependiam muito da capacidade de entendimento da população (leitura e escrita). Percebendo esta necessidade, Lutero intensificou sua luta junto às autoridades civis para que investissem na educação.

Lutero e seus aliados realizam um grande esforço de estímulo à criação de escolas, destinadas para todas as classes sociais.  Isto resultaria num ganho significativo para a Igreja, pois seria ampliada a compreensão da Bíblia. Além disso, supriria as demandas decorrentes da sociedade moderna, com impactos e transformações nas diversas áreas.

Os governantes da época, percebendo a importância e a urgência de oferecer instrução para o povo neste novo cenário, solicitam aos reformadores luteranos a criação de uma rede de ensino público. Neste contexto Lutero argumentou: “O dinheiro investido em educação será menor que o gasto com armas e trará mais benefícios”.

Os movimentos da Renascença e da Reforma são precursores de profundas mudanças na concepção de ensino. “A educação começa a visar de modo claro e definido à formação integral do homem, o seu desenvolvimento intelectual, moral e físico”, segundo o professor Ruy Afonso da Costa Nunes.

Com os movimentos liderados por Lutero, a Reforma é reconhecida como a grande impulsionadora para o surgimento da educação pública, universal e gratuita, beneficiando principalmente as classes menos favorecidas. Também é dele a organização da educação em três grandes ciclos: fundamental, médio e superior.

Na publicação de Lutero de 1524 “aos Conselhos de todas as cidades da Alemanha, para que criem e mantenham escolas cristãs”, está expresso o desafio para a sociedade promover a educação integral. Desejam-se cidadãos bem preparados para todas as tarefas na sociedade. Uma educação voltada para as questões concretas, voltadas para os desafios do cotidiano.

Conforme o Pastor da IECLB – Walter Altman, Lutero rompeu com ensino repressivo, introduzindo o lúdico na aprendizagem.  Amarrou o estudo das disciplinas e um aprendizado prático. Também lutou por boas bibliotecas acessíveis.

“Pela graça de Deus, está tudo preparado para que as crianças possam estudar línguas, outras disciplinas e história, com prazer e brincando. As escolas já não são mais o inferno e o purgatório de nosso tempo, quando éramos torturados com declinações e conjugações. Não aprendemos simplesmente nada por causa de tantas palmadas, medo, pavor e sofrimento”. (Martinho Lutero).

A influência da Reforma adentrou as Universidades, principalmente na Alemanha. Grandes evoluções na religião e por consequência o ensino da Teologia. O resultado desta evolução traduziu-se no crescente número de novos alunos vindos de outras localidades da Europa.

“O melhor e mais rico progresso para uma cidade é quando possui muitos homens bem instruídos, muitos cidadãos ajuizados”, dizia Martinho Lutero.

O pensamento logo se expandiu para outras regiões do Planeta. A América do Norte acolheu uma leva significativa de colonizadores protestantes, na chamada segunda reforma. Esses grupos foram muito importantes para a criação do ensino superior público, logo após a independência dos EUA.

Para o Brasil, o pensamento Luterano foi trazido pelos imigrantes alemães, no século 19, que colonizaram regiões em diversos estados brasileiros. O conceito de escola e igreja lado a lado foi a marca registrada do reformador. Foram criadas centenas de escolas de Educação Básica, com fim de educar os filhos dos imigrantes e mais tarde servir a população em geral.

O espírito comunitário foi o grande impulso para a criação das escolas no Brasil. Com a dificuldade do poder público suprir as demandas por educação, coube às comunidades unirem esforços e recursos para construírem e manterem as escolas. Com raízes germânicas e forte ligação com a Igreja Evangélica Luterana, os valores e princípios foram sendo difundidos ao longo destes quase dois séculos de presença na educação brasileira.

A IENH é fruto deste movimento de Lutero e deste espírito comunitário que permanece até hoje. Com a criação da Escola da Comunidade (hoje Unidade Pindorama da IENH), em 1832, no bairro Hamburgo Velho de Novo Hamburgo, a cidade pode educar os seus filhos. Foi a primeira escola de Novo Hamburgo e uma das mais antigas ainda em atividade no Rio Grande do Sul.

A vanguarda, a qualidade, os valores cristãos, o espírito comunitário, a formação integral, o multilinguismo e a inovação permanente são atributos que se fortaleceram ao longo da história. Ser luterano nos impulsiona permanentemente para a mudança, para a contestação, para o desafiador, para as justiça e o respeito a todos os cidadãos.

“De minha parte, se pudesse ou tivesse que abandonar o ministério da pregação e outras incumbências, nada mais eu desejaria tanto quanto ser professor ou educador de meninos. Pois sei que, ao lado do ministério da pregação, esse ministério é o mais útil, o mais importante e o melhor. Inclusive tenho dúvidas sobre qual deles é o melhor. (Martinho Lutero). 

Seno Leonhardt - Diretor Geral da IENH


A Rosa de Lutero

O Selo de Lutero ou Rosa de Lutero, como é chamado muitas vezes, é o símbolo mais conhecido do Luteranismo.

No tempo em que vivia o reformador Martin Lutero, as famílias costumavam ter os seus brasões, onde expressavam aquilo que era importante para elas. Quando Lutero criou o brasão de sua família, ele decidiu expressar com ele a sua fé. E assim surgiu a Rosa de Lutero, que também está presente no logotipo da IENH.

A Rosa sintetiza a fé cristã de uma forma simples e completa. Confira o significado de cada uma das partes que compõem o símbolo:

Cruz (preta): no centro da Rosa, representa a salvação. Cristo e a mensagem da cruz são o centro da religião cristã. A cruz lembra que Deus vem ao encontro das pessoas, com o seu amor, através de Jesus Cristo.

Coração (vermelho): a cruz preta é rodeada por um coração vermelho. Através do coração, Lutero quis mostrar que a fé quer envolver toda a vida das pessoas. A vida recebe novo sentido se Cristo for o seu centro.

Rosa (branca): significa que, quando a cruz de Cristo tem lugar na vida das pessoas, ocorre uma transformação que traz verdadeira paz e alegria. A cor branca representa o reino de Deus. Todas as promessas de Cristo também são representadas por essa cor branca.

Fundo (azul): Deus está conosco.  É possível viver com e para Deus, como sinais de seu reino, já aqui e agora. A cor azul é também esperança no futuro, pois lembra a eternidade.

Anel (dourado): o anel de ouro representa as dádivas recebidas através da cruz e ressurreição de Jesus. A vida é mais valiosa do que as coisas mais preciosas do mundo.

Fontes:
http://www.luteranos.com.br/lutero/rosa.html
http://www.luteranos.com.br/textos/a-rosa-de-lutero
http://theologiacrucis.webnode.com/
http://igrejaluteranadeipatinga.blogspot.com.br/2009/10/significado-da-rosa-de-lutero.html
http://comunidadesaopaulomcr.blogspot.com.br/2009/10/o-significado-da-rosa-de-lutero.html


Infográfico - Principais momento da vida de Martin Lutero

                                        


História da Reforma Protestante


No século 16, na Europa central, foi iniciado um movimento de renovação da Igreja cristã denominado Reforma Protestante. Já no final da Idade Média vários fatores contribuíram para que isso ocorresse: a formação dos Estados Nacionais ou as modernas nações européias, com toda a descentralização política e com príncipes limitando a autoridade do Imperador e com forte tensão entre o Estado e a Igreja.

O poder do papado entrou em declínio, ocorreram confrontos com reis, divisões entre os próprios clérigos e a necessidade de reforma. Houve um Grande Cisma e até mesmo 3 papas rivais em lugares diferentes, de 1378 a 1417. O movimento Conciliar buscou solução para a crise numa tentativa fracassada de democratizar a Igreja e governá-la por meio de concílios. Os movimentos dissidentes na França acarretaram forte oposição e a Inquisição fora oficializada em 1233.

Muita convulsão política, social e religiosa havia no final da idade média, revoltas dos camponeses, guerras, epidemias, o declínio do feudalismo e da liderança dos Papas e da Igreja. A população se ressentia dos abusos da Igreja e da sua falta de propósitos e corrupção.

Muita violência, baixa expectativa de vida, contrastes e desigualdades sociais e econômicas às vésperas da Reforma, havia até mesmo certa revolta com a chamada “matemática da salvação” ou religiosidade contábil que tratava pecados como débitos e as boas obras como créditos e a venda de “indulgências” para perdão das penas temporais do pecado.

Quando Tetzel foi vender indulgências em Wittenberg, Martinho Lutero (1483-1546), se pronunciou contrário. Lutero, natural de Eisleben, ingressou no mosteiro de Erfurt e tornou-se professor na Universidade de Wittenberg. Diante das indulgências, ele afixou na porta da Igreja da cidade, em 31 de outubro de 1517, 95 Teses ou convites para o debate na comunidade acadêmica, desafiando a autoridade da Igreja. Por isso, foi acusado de heresia e chamado a Roma, em 1518, mas recusou-se a ir e manteve suas posições. Em 1519, participou de debate e afirmou que o “infalível” Papa podia errar.

Em 1520, recebeu uma “Bula papal” para retratar-se ou seria excomungado. E Lutero, estudantes e professores de Wittenberg queimaram a Bula em praça pública. Também escreveu livros e tornou-se popular e notório em toda a Europa. Em 1521, na Dieta de Worms, Lutero reafirmou suas ideias e precisou se refugiar no castelo de Wartburg sob proteção de um príncipe-eleitor. Ali Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e a “reforma luterana” se espalhou rapidamente, com o apoio de vários principados alemães, por todo o sacro Império.

Mas, houve forte oposição católica às novidades luteranas. Em 1526, houve certa tolerância. Mas, como em 1529 acabou essa política conciliadora, os líderes luteranos fizeram um “protesto” formal de apoio a Lutero e isso deu origem ao nome histórico “protestantes”. O auxiliar de Lutero, Filipe Melanchton (1497-1560) apresentou ao Imperador a “Confissão de Augsburgo”, defendendo a doutrina luterana (21 artigos) e indicando 7 erros da Igreja Romana.

Ocorreram guerras político-religiosas entre católicos e protestantes, de 1546 a 1555, findando com o tratado de “Paz de Augsburgo”, reconhecendo a legalidade do luteranismo como religião oficial de um território cujo príncipe a adotasse como tal. O protestantismo se espalhou pela Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia. Foram defendidos princípios básicos que caracterizaram as convicções e práticas protestantes: os cinco “Solas”: Sola Scriptura (somente as Escrituras),solus Christo (salvação somente em Cristo), sola gratia (salvação somente pela graça divina), sola fides (salvação somente pela fé), soli Deo gloria (glória dada somente a Deus), além do sacerdócio universal dos cristãos.

De fato, Lutero não queria inovar, mas restaurar antigas verdades bíblicas que a Igreja havia esquecido ou trocado por suas tradições humanas. Valorizava as Escrituras, a salvação pela graça divina e pela fé somente, sem as obras.

Por Armando Araújo Silvestre
Pós-doutor em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

Fonte: http://www.infoescola.com/historia/reforma-protestante/